sexta-feira, 14 de junho de 2013

Projeto Eleições e Direitos Humanos



Urna EletrônicaUm projeto eleições necessariamente tem que desafiar à criatividade, a reflexão, a crítica, estudando algumas das questões sociais fundamentais como a violência, fome, corrupção e, sobretudo a importância do ato de votar, propiciando o desenvolvimento de atitudes e competências, despertando o interesse pela pesquisa, visando o entendimento do presente para a projeção do futuro.
A escola tem como compromisso mostrar ao educando que a verdadeira Urna eletronicademocracia implica a prática da cidadania, o conhecimento e o respeito pelos direitos humanos. Assim, conhecer, analisar, questionar, refletir sobre as questões sociais que alteram e prejudicam nossa sociedade é uma forma de assessorá-lo para eu utilize o seu "capital do saber" para redimensionar a dura realidade que lhe é apresentada, desenvolvendo nele a capacidade de criticidade, criatividade e principalmente co-responsabilidade.
As ações propostas, apresentadas ao longo do projeto, devem permitir ao educando transferir os conhecimentos adquiridos em situações novas, na tomada de decisões e na solução de problemas. O desempenho desse trabalho suscitará mudanças de atitudes que o remeterá a sair do universo teórico e partir para a realidade pratica, para a ação em prol de sua própria vida e da sua comunidade, com um olhar novo, sensível, humano.
“O que acontece no mundo seja no meu país, na minha cidade ou no meu bairro acontece comigo, então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciente da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação.” (BETINHO).
O projeto é direcionado aos alunos do ensino fundamental e médio e proporciona oportunidades de integração entre educadores e educandos uma vez que permite a interdisciplinaridade por se tratar de um tema abrangente presente em todas as disciplinas. É um bom momento para fazer um trabalho que atenda às exigências do atual modelo de produção de conhecimento.
OBJETIVOS:
  • Identificar no próprio grupo de convívio problemas sociais, econômicos, políticos;
  • Reconhecer problemas sociais, econômicos e políticos, atuais e do passado, em diferentes grupos sociais;
  • Questionar sua realidade, refletir sobre soluções em sua comunidade e em outras;
  • Valorizar a importância do voto como instrumento de transformação social e exercício vivo da cidadania;
  • Comparar acontecimentos, estabelecendo relações entre o passado e o presente;
  • Adotar atitudes transformadoras de repúdio a alienação;
  • Desenvolver o senso crítico.
Tema transversal: Ética e cidadania.
CONCEITOS:
  • Conhecer os Direitos Humanos;
  • Compreender e analisar as questões sociais, como a fome, o desemprego, a violência;
  • Estabelecer relações entre acontecimentos e contextos variados no tempo e no espaço;
  • Identificar relações de violência em diferentes tempos e espaços;
  • Identificar as causas do desemprego, da fome, degradação ambiental na atualidade (cerrado);
  • Compreender a importância da participação popular para a efetivação da democracia;
  • Identificar os diversos grupos sociais que compõem a sociedade brasileira;
  • Compreender o capitalismo e o neoliberalismo;
  • Perceber as diferenças culturais existentes no seu grupo de convívio e do Brasil;
  • Identificar a sua história de vida, compreendendo sua relação dentro de seu grupo social;
  • Perceber a importância do ato de votar, sua responsabilidade nas mudanças e permanências dos graves problemas sociais do país;
  • Compreender o sistema eleitoral brasileiro.
PROCEDIMENTOS
  • Pesquisar em jornais e revistas fatos e acontecimentos que envolvam violência, fome, desemprego, etc;
  • Distinguir versões diferentes para o mesmo fato;
  • Comparar fatos diferentes e estabelecer relações entre eles;
  • Produzir textos;
  • Recortar, colar, montar diferentes atividades;
  • Ler e interpretar imagens, gravuras;
  • Elaborar gráficos, tabelas;
  • Coletar dados;
  • Entrevistar pessoas;
  • Desenhar, elaborar charges;
  • Elaborar histórias em quadrinhos, cartazes, murais;
  • Navegar na Internet;
  • Participar de debates;
  • Analisar textos e reportagens atuais;
  • Dramatizar variadas situações;
  • Propor soluções.
ATITUDES:
  • Respeitar e valorizar a diversidade cultural;
  • Valorizar as discussões e respeitar as várias opiniões expressadas;
  • Trocar idéias e opiniões;
  • Assumir atitudes de respeito pelos outros;
  • Tomar posição perante os problemas sociais, como a violência, fome, etc;
  • Assumir compromissos diante da importância do seu papel na sociedade;
  • Colaborar na criação de propostas de soluções coletivas;
  • Adotar atitudes de compreensão e solidariedade;
  • Adotar atitudes de repúdio à exploração dos colegas, à alienação.
METODOLOGIA – SUGESTÕES DE ATIVIDADES
1ª AULA - "Cidadania em jogo"
Análise de imagens:
1ª - O professor devera levar varias figuras ilustrativas de algumas situações como desperdício de água, corrupção, violência, filas intermináveis, lixo na rua, enchentes, etc. O importante é que as gravuras possam promover um debate, ressaltando o respeito como fator primordial para a convivência humana. É o momento crucial para troca de experiências e opiniões, onde juntos os alunos aprenderão a emitir suas idéias assim como a respeitar as idéias do outro.
Após a discussão cada um produzira um texto sugerindo soluções.
O professor pode, também, produzir junto com os alunos um texto coletivo que pode ser exposto ao lado da montagem das figuras em um cartaz, painel ou mural.
2ª e 3ª AULAS – Votar é uma forma de lutar pelos direitos humanos?
  • Os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos serão os motivadores no desenvolvimento da argumentação.
  • Esse estudo poderá ser feito em grupo e para cada equipe será oferecida uma cópia da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  • O educador mostrará a Declaração dos Direitos Humanos, acompanhando a interpretação de cada artigo adequando à linguagem, conforme o nível dos alunos.
  • Deixar claro, para os alunos, que o cidadão tem seus direitos, mas em contrapartida têm os seus deveres também.
  • Dividir a sala em grupos e cada um escolhe qual artigo da Declaração quer analisar.
1ª - Sugestão: Analisar o artigo 22. Pesquisar e refletir sobre grupos que se reúnem para exigir a satisfação dos seus direitos. Existem varias maneiras de concretizar essa exigência uma delas e o voto;
2ª - Sugestão: Analisar o artigo I. Pesquisar e refletir sobre as conquistas realizadas por grupos excluídos de alguns direitos, como o direito de votar: Mulheres, padres e índios que por muito tempo foram impedidos de votar. Mostrar a importância dessa conquista.
3ª - Sugestão: Analisar o artigo 19. Pesquisar e refletir sobre o ato de votar (Jovens entre 16 e 18 anos). Relacionar o direito à liberdade de expressão e opinião com a consciência política.
Essas são apenas algumas sugestões. O grupo pode levantar outras formas para realizar o seu trabalho.
4ª - Sugestão: Analisar o artigo 21. Após a leitura do artigo 21 o professor aponta três caminhos de pesquisa e reflexão para os alunos:
a) Argumente, baseando-se em fatos de seu conhecimento (jornais, revistas, telejornais), sobre o seguinte titulo: "Corrupção assegurada, direitos humanos ignorados".
b) Argumente mediante charges e piadas.
c) Argumente mostrando os passos para a aprovação de um projeto de Lei, elaborado por representantes escolhidos pelo voto.
4ª Aula - "Caindo no Mundo"
Após essa discussão todos tomaram conhecimentos da maneira de pensar de cada um dos colegas. Devem agora partir para uma pesquisa de campo, coletando opiniões de outras pessoas: crianças, jovens e adultos.
Na pesquisa será usado um questionário elaborado pelo professor e alunos. Numero de entrevistados: 120 pessoas; (40 crianças, 40 jovens e 40 adultos).
Sugestão de questões objetivas:
Você acha que pode fazer alguma coisa para mudar situações, como, por exemplo, o problema das crianças abandonadas?
( ) Sim ( ) Não
Para você, qual a melhor expressão para combinar com cidadão?
( ) Exigir seus direitos;
( ) Respeitar o outro;
( ) Ação;
( ) Desânimo.
Você conhece a Declaração Universal dos Direitos Humanos?
( ) Sim ( ) Não
Você acha que o voto é uma forma de mudar e lutar pelos direitos humanos?
( ) Sim ( ) Não
Você acha que deve participar do processo político de seu país?
( ) Sim ( ) Não
Você acha que a frase: "E eu com isso? É muito utilizada pelos brasileiros?".
( ) Sim ( ) Não
E por você?
( ) Sim ( ) Não
E por seus pais?
( ) Sim ( ) Não
Para você, votar um direito ou um dever?
( ) Direito ( ) Dever
Trabalhando os dados com base nas respostas promover discussão entre os alunos. Para a pesquisa organizar planilha de dados com o demonstrativo das opiniões de crianças, jovens e adultos consultados sobre a questão: para você, votar é um direito ou um dever?
PLANILHA DE DADOS
Passar os dados obtidos nos questionários para a planilha de dados e em seguida fazer a representação no gráfico.
Para você, votar e um direito ou um dever?
  • Confeccionar dois gráficos um para a questão: Para você, votar é um direito ou um dever?
  • Outro gráfico para a questão: Melhor expressão para combinar com cidadão.
  • Passar os dados dos questionários para a planilha de dados e em seguida fazer a representação no gráfico.
Analisar o resultado da pesquisa com os alunos.
Outras sugestões para exercitar a cidadania no aluno:
  • Desenhar, representando o significado da palavra "direito" para você;
  • Procurar cenas, artigos em jornais, revistas, programas de TV, etc. que mostrem a violação dos direitos humanos, e discutir sobre elas; relacionar os artigos da
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos com as gravuras; dar sua opinião pessoal sobre as iniciativas de grupos que desejam assegurar os direitos humanos;
  • Crie uma historia mostrando que para lutar pelos nossos direitos devemos cumprir nossos deveres;
  • Elaborar uma relação de direitos e deveres: Em casa, na escola, na comunidade;
  • Criar uma musica (RAP), ou parodias, ou poesia mostrando a importância de ter os direitos assegurados;
  • Identificar filmes e historias infantis que mostrem a luta por um direito;
  • Selecionar nas revistas de historias em quadrinhos cenas ou falas que ilustrem o tema. Usar essa seleção e realizar uma nova produção a partir dela;
  • Mostrar a essência autoritária do regime militar implantado no Brasil, em marco de 1964, e de que modo ele se relacionava com os interesses dos industriais, fazendeiros, banqueiros e empresas multinacionais;
  • Mostrar que o povo foi proibido de votar, não porque não sabia votar, mas porque começou a votar mais de acordo com seus interesses;
  • Sugerir entrevista com eleitores com idade acima de setenta anos cujo voto e facultativo. Perguntar por que votam?
  • Solicitar que pesquisem historicamente como aconteceu e se desenvolveu ao longo do tempo o processo eleitoral no Brasil;
  • Comparar o grau de intensidade de corrupção entre os paises de primeiro mundo e os da América Latina;
  • Fazer um levantamento do nº de eleitores de 16 a 18 anos e calcular o percentual em relação ao eleitorado do município;
  • Abrir uma discussão sobre a política social do governo. Levar os alunos a refletir sobre ate que ponto essa ação paternalista ajuda ou atrapalha o individuo.
AVALIAÇÃO
O processo de ensino-aprendizagem poderá ser avaliado através de:
  • Avaliação do professor;
  • Realização das atividades propostas no projeto;
  • Questionamento oral;
  • Verificação da participação dos alunos nas atividades coletivas;
  • Realização de trabalhos e provas.
CULMINÂNCIA: Mural com exposição dos trabalhos efetuados durante o desenvolvimento do projeto, tais como: textos, desenhos, letras de músicas e paródias, poesias, gravuras, gráficos, túnel do tempo (retrospectiva da história do processo eleitoral no Brasil), entre outros.
SUGESTÃO DE LIVRO:
TODOS TEMOS DIREITOS – Um livro sobre os direitos humanos, escrito, ilustrado e editado por jovens do mundo inteiro - Ática.
Da redação.

Prorrogação de Prazo para as Diretorias encaminharem para a CGEB

PRORROGAÇÃO DE PRAZO
Informamos que o prazo para a Diretoria de Ensino encaminhar para a CGEB os projetos que estão em análise foi prorrogado até o dia 21 de junho.

O ensino da História e da Geografia por meio de projetos

O ensino da História e da Geografia por meio de projetos



MapaNo que se refere especificamente ao ensino da História e da Geografia, o trabalho com projetos representa uma solução para o professor. Através deles, ele poderá trabalhar de forma mais flexível com uma maior diversidade de conteúdos, indo além daqueles tradicionalmente abordados nos livros didáticos. Além disto, os projetos permitem integrar conteúdos da História e da Geografia entre si e também com conteúdos das demais áreas de conhecimento, sobretudo a Língua Portuguesa. Essa integração proporciona ao aluno a oportunidade de estabelecer relações entre fatos, conceitos e procedimentos das diferentes áreas para o entendimento de um fenômeno social ou natural. Isto é especialmente interessante quando se pretende que os alunos construam compreensões cada vez mais amplas sobre uma mesma temática, vindo a percebê-la desde diferentes pontos de vista.
O trabalho com projetos, porém, deve considerar as especificidades de cada uma das áreas envolvidas, pois essa forma de organizar o trabalho não representa sua diluição em um único trabalho, pelo contrário. Nesse sentido, é interessante que o professor defina quais são os objetivos e conteúdos específicos de cada uma das áreas envolvidas no projeto.
Vale a pena ressaltar que o envolvimento dos alunos em um projeto de estudo é algo essencial. Eles precisam atribuir algum sentido a este projeto, identificar sua relevância intelectual ou mesmo social. Um problema que os desafie a buscar informações, trocar idéias, discutir e tomar decisões é uma forma interessante de iniciar um projeto. Determinar com os alunos as etapas que serão percorridas para que esse problema seja solucionado, definir prazos e tarefas, combinar a função de cada aluno ou grupo de alunos (bem como a do professor) nesse trabalho coletivo são outros aspectos a serem considerados.
Existem alguns procedimentos do trabalho de pesquisa que o professor deverá ensinar aos alunos, a fim de que eles possam aprender a realizar pesquisas e também adquirir uma maior consciência de seu processo de aprendizagem. Estes procedimentos podem ser compartilhados através de roteiros nos quais as etapas do projeto de estudo que será desenvolvido são discutidas e decididas com os alunos.
Roteiro de pesquisa
  • O que queremos saber? Definir com os alunos quais as perguntas que eles gostariam de ver respondidas a respeito do tema a ser pesquisado.
  • O que precisamos para saber responder? Definir um cronograma de pesquisa com as ações necessárias para responder às perguntas levantadas.
  • Onde encontramos o que precisamos? Levantar com os alunos quais as fontes de informação que podem ser consultadas. O professor pode sugerir a utilização de enciclopédias, revistas, atlas, livros paradidáticos, filmes, documentários etc.
  • Como obtemos os materiais de que necessitamos? O professor deve orientar os alunos sobre como obter os materiais de pesquisa, ensinando-lhes a consultar uma biblioteca, a realizar uma entrevista e também a organizar um arquivo das informações levantadas.
  • Como apresentamos os resultados da pesquisa? Definir com os alunos a forma de apresentação final dos resultados da pesquisa.
  • Como avaliamos aquilo que aprendemos? O professor pode retomar as questões levantadas no início da pesquisa e avaliar com os alunos quais foram respondidas e quais não. Será uma boa ocasião para discutir sobre as Geografiaperguntas que surgiram ao longo do projeto e aquelas que ficaram sem respostas.
É importante que os projetos realizados tenham algum tipo de fechamento, pois assim os alunos podem compartilhar com os demais colegas da escola ou mesmo com seus familiares os conhecimentos aprendidos durante o estudo. Esse fechamento pode ser materializado através de um produto final, cuja elaboração pode ser decidida com os alunos, que desse modo poderão aprender a definir funções e dividir o trabalho.
Por outro lado, é interessante que esse produto envolva mais de uma linguagem, não apenas a escrita. A produção de livros ilustrados, painéis, cartazes, maquetes, álbuns, folhetos, seminários, exposições, campanhas, dramatizações e instalações são alguns dos produtos que podem ser feitos, sempre considerando a autonomia dos alunos e o papel do professor como colaborador e facilitador.

Da redação.

Ensinar História utilizando imagens

Ana Beatriz Domingues

Ensinar História através da utilização de imagens é sempre uma possibilidade prazerosa para alunos e professores. Elas nos fazem viajar e ajudam a construir panoramas visuais de conteúdos que por vezes parecem muito distantes do nosso cotidiano. Vivemos em um mundo muito imagético, mas é preciso ter cuidado com os usos em sala de aula. Ao trabalhar com esses recursos, é importante pontuar o caráter de representação das imagens técnicas, sejam elas estáticas (fotografias, desenhos, etc.) ou em movimento (vídeos, filmes). Uma conversa inicial com seus alunos pode girar em torno do conceito de representação. Vejamos um exemplo:
O que você vê na imagem abaixo?
Cachorro
Aposto que você respondeu que vê um cachorro, não é mesmo? E a resposta está errada. Você, na verdade, vê uma representação imagética de um cachorro. O cachorro contido na imagem não late, tampouco abana o rabo. A imagem, nesse caso, remete a um cachorro real. As imagens fotográficas tendem a nos confundir por sua aproximação com a realidade, com desenhos e pinturas fica um pouco mais fácil de pontuar essa discussão. Isso é interessante enquanto fundamentação para a compreensão crítica das imagens históricas.
"Vendedora de pão-de-ló". Jean-Baptiste Debret, 1826.
Por muito tempo as imagens utilizadas no ensino de História apareciam, e ainda aparecem eventualmente, como meras ilustrações de conteúdos. Temos o exemplo bem comum que é o das obras de Jean-Baptiste Debret, pintor integrante da “Missão Francesa” e que veio ao Brasil após a vinda da família real, famoso por retratar o Rio de Janeiro oitocentista e tido como pintor da corte. Em diversos livros didáticos e salas de aula ao longo da história, as obras de Debret foram utilizadas para exemplificar imageticamente como era o Rio de Janeiro do século XIX. Mas as obras de Debret estavam inseridas dentro de um contexto de produção e relacionam-se com o seu ponto de vista da cidade.
História
Uma forma de discutir as representações imagéticas é traçar paralelos com outras maneiras de se representar o mundo. Façamos um exercício. Suponhamos que aconteça uma batida de carro na frente da escola e que diversos alunos e professores acompanhem o acontecimento. Alguns alunos irão escrever sobre a batida, outros irão desenhá-la, professores irão contar uns aos outros e também de posse de seus celulares irão fotografar o acontecido. Todas as representações serão iguais? E mais, quem não esteve presente no momento da batida receberá da mesma forma essas representações distintas?
Essas perguntas são sempre acompanhadas de um debate que é fundamental quando tratamos do ensino de História: os pontos de vista. Se num momento passado de cunho positivista a História tinha um tratamento factual e de análises generalizantes, hoje temos que ressaltar a existência de uma diversidade na compreensão dos fatos, processos e transições ao longo do tempo. Lembremos sempre, que nas turmas de Ensino Fundamental, trabalhar com os conceitos históricos, tem tanta importância quanto os conteúdos programados. Sendo assim, trabalhar com imagens é antes discutir o conceito de representação.
Passemos para um último exercício. Vejamos duas representações de Napoleão Bonaparte. A primeira de David Alps em 1800 e a segunda de Hippolyte Delaroche em 1845.
Historia

Ainda que não saibamos o contexto específico de produção das obras, é possível perceber duas representações absolutamente distintas de Napoleão Bonaparte. A partir delas é possível buscar algumas questões geradoras para o debate em sala de aula:
  • Qual das duas imagens poderia representar um grande conquistador?
  • Em qual fase da trajetória de Napoleão Bonaparte você associaria cada uma das imagens?
Outra opção seria pedir que os alunos criassem legendas para cada uma das imagens, percebendo as diferentes interpretações possíveis para as representações. Cabe ressaltar o potencial de desconstrução de figuras célebres da História a partir desses debates, inserindo-as em seu processo histórico de produção e recepção.
Em um mundo cercado por imagens de todo o tipo, é papel do professor auxiliar seus alunos a perceber criticamente o que recebem, entendendo que inúmeros são os modos de ver. Em se tratando das imagens no ensino de História, os olhares devem ser sempre desconfiados, evitando a naturalização que muitas vezes relega as representações visuais a meras ilustrações.
Prof. Ana BeatrizAna Beatriz Domingues – Professora de História e Arte-Educadora. Especialista em Gestão Escolar e atual mestranda em Educação pela UERJ 

Sugestão de Atividades

Sugestão de Atividade - Árabes e o Islamismo

O currículo mínimo proposto por diversas escolas à disciplina de História, muitas vezes não contempla as discussões acerca do povo Árabe. Acho necessário resgatar esse conteúdo diante não apenas da influência árabe na Península Ibérica, mas diante também dos atuais conflitos que vêm marcando diversos países pelo mundo.



                                                     Azulejos da Identidade

    Inicialmente, realizei um trabalho de fundamentação em relação à formação histórica na Península Arábica, Islamismo e atuais conflitos. Essa atividade é voltada a pensar a influência do Islã na Cultura Árabe. Na tradição do Islã há uma clara proibição na representação de figuras animais e humanas. A não-representação figurativa é mote para diversos desenvolvimentos nos campos da caligrafia, matemática, arquitetura e engenharia árabes. Os azulejos são de origem moura e tiveram grande desenvolvimento e expressão em Portugal.  



Material: papel pardo, papel cartão, tesoura e cola

1a Etapa - Arte da palavra: Distribuir triângulos equiláteros feitos com papel cartão colorido a cada um dos alunos. Pedir que pensem em três palavras que os identifique. A seguir, deverão desenhar imagens ou símbolos a partir das palavras. 
Essa etapa é interessante para se falar sobre a caligrafia árabe, ela acaba se tornando muito estética devido às relações com a não-representação figurativa. Os islâmicos entendem que a palavra é um dom divino, uma conexão com Alá.


2a Etapa - Geometria e desenho: Recolher os triângulos e junto com os alunos pensar num desenho possível com todas as peças e que represente a turma. Colar os triângulos no papel pardo e pedir que criem um nome para a figura. Aqui, é interessante de se articular com a disciplina de matemática, retome as figuras geométricas possíveis de se construir com triângulos equiláteros.





3a Etapa - Mural e Exposição: Construir um mural com as criações dos alunos e mediar as impressões que surgirem a partir da experiência do olhar. Em nossa escola montamos o mural , contendo um texto que fundamenta e contextualiza a atividade.




 A seguir, posto um video sobre a Arte Islâmica que pode servir como base da fundamentação inicial para a atividade.



Vídeo sobre árvores que representam determinas regiões do planeta. O continente africano é imenso e possui vários tipos de vegetação. Sugiro a utilização em sala de aula dos vídeos, abaixo, sobre o Baobá, uma árvore que é símbolo do continente africano, mas será que podemos falar que somente o Baobá pode representar a África toda? Vamos aos vídeos..
Um pé de quê? Baobá parte I: http://www.youtube.com/watch?v=GFm-Mu8_8mk
Um pé de quê? Baobá parte II: http://www.youtube.com/watch?v=XxZClCcrBoQ





Quem são os Griots?

Griot é como são chamados, em alguns povos da África, os contadores de histórias. Possuem uma função especial que é a de narrar as tradições e os acontecimentos de um povo. O costume de sentar-se embaixo de árvores ou ao redor de fogueiras para ouvir as histórias e os cantos, perdura até hoje. Os griots também são músicos e muitas vezes as narrativas são cantadas. O Império Mali, sob o comando de Soundjata Keita, por volta do século XIII confere importância notável a esses sábios. A construção da história de base oral é marca dos povos africanos antigos e o griot tem papel fundamental em sua estruturação.

Orientação Técnica: "Avaliação - Concepções, Análise e Aplicabilidade"



















Evento sobre a Copa das Confederações na EE Hélio Lourenço.
Parabéns a todos e a todas pelo trabalho e envolvimento!!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Olá a todos!!!!
Como podem ver estou organizando um espaço pra socializar informações que possam interessar aos amigos!!!! Aos poucos vou deixá-lo cada vez melhor. Sejam bem vindos!

Especial: CULTURA AFRO-BRASILEIRA [11/2007]

Dia 20 de Novembro é dia de comemoração da cultura negra no Brasil.
A Lei Federal nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário oficial como o Dia Nacional da Consciência Negra, além de tornar obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. Em algumas cidades brasileiras, esse dia se tornou oficialmente feriado municipal (é bom lembrar que essa data não é ainda um feriado nacional).
Contudo, o mais importante nessa data é relembrar a importância dos negros na formação da sociedade brasileira e sua influência nas nossas diversas formas de manifestações culturais.

A África na religião

Vieram os Orixás, protetores de seu povo – Oxalá, Iansã, Ogum, Oxossi, Iemanjá, Omulu, Exu. Com cantos, preces e cultos hoje protegem milhões de pessoas em todo o país, e precisam ser reconhecidos cada vez mais como religião e não como divindades alternativas. É preciso reverenciar as grandes mães de santo, que conduzem seus terreiros e se ocupam de propagar a paz, a união, a fé.
Na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de sacerdotes. As divindades iorubas eram cultuadas em suas cidades: Xangô, em Oió; Oxossi, em Keto; Oxum, em Ipondá, e assim por diante. Com a vinda ao Brasil e a separação ardilosa das famílias, das nações, das etnias, essa estrutura religiosa não pode se repetir e se fragmentou. Mas os negros criaram uma unidade nesta diversidade e pluralidade e puderam partilhar e comungar os cultos e os conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura. E desta nova maneira de ser e viver, aberta a todos, surgiu a forma acabada do que se chama hoje candomblé.

Típica loja de artigos de candomblé.

A África na culinária

A presença negra é marcante também (e fundamental) na mesa deste país com o vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, sarapatel, caruru e a tão celebrada feijoada e, não bastasse, também na baba de moça, a cocada e a bala de coco.
Alguns escravos conseguiam criar algum animal ou cultivar uma pequena horta. Talvez por isso, o tempero e o uso de uma grande variedade de pimentas deu um sabor especial aos seus pratos. O azeite de dendê também foi um dos ingredientes mais importantes da culinária negra. O dendezeiro é uma palmeira de origem africana, e de sua polpa se extrai o azeite que dá a cor, o sabor e o aroma de tantas receitas deliciosas.
O uso de pimentas, que já era antigo nas terras da América, se espalhou pelo Brasil no século 18. Uma outra tradição, a de vender comida nas ruas, em grandes tabuleiros, se estabeleceu na mesma época na cidade de Salvador, na Bahia. Esses tabuleiros traziam de tudo. Um cronista daquele tempo relatou ter visto, num mesmo tabuleiro, mais de vinte qualidades diferentes de comidas salgadas e doces.
Outro prato muito popular é a feijoada, cuja origem ocorreu nas senzalas: enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores, os escravos ficavam com as sobras. Lingüiça, carne-seca e carnes de porco eram misturados com feijão preto e cozidos em um grande caldeirão. A feijoada chegou a servir de inspiração para escritores como Pedro Nava, em um de seus livros de memórias, e para o compositor Chico Buarque de Holanda, que tem uma música onde dá a receita de uma "Feijoada Completa".

A presença africana na música popular brasileira

Os tambores de África trouxeram também os cantos e danças. Do samba, que domina o Brasil de ponta a ponta e ganha avenidas no Carnaval com a grande e bela presença negra predominando, ao Maracatu, Congada, Cavalhada, Moçambique. Sons e ritmos que vão de Parintins ao Rio de Janeiro, para se construir uma imagem, passando por todas as comunidades brancas e negras.
Já nos primeiros anos da colonização, as ruas das principais cidades brasileiras assistiam às festas de coroação dos “reis do Congo”, personagens que projetavam simbolicamente em nossa terra a autoridade dos muene-e-Kongo, com quem os exploradores quatrocentistas portugueses trocaram credenciais em suas primeiras expedições à África subsaariana.
Esses festejos, realçados por muita música e dança, seriam não só uma recriação das celebrações que marcavam a entronização dos reis na África como uma sobrevivência do costume dos potentados bantos de animarem suas excursões e visitas diplomáticas com danças e cânticos festivos, em séqüito aparatoso. E os nomes dos personagens, bem como os textos das cantigas entoadas nos autos dramáticos em que esses cortejos culminavam, eram permeados de termos e expressões originadas nos idiomas quicongo e quimbundo.
Esses cortejos de “reis do Congo”, na forma de congadas, congados ou cucumbis (do quimbundo kikumbi, festa ligada aos ritos de passagem para a puberdade), influenciados pela espetaculosidade das procissões católicas do Brasil colonial e imperial, constituíram, certamente, a velocidade inicial dos maracatus, dos ranchos de reis (depois carnavalescos) e das escolas de samba – que nasceram para legitimar o gênero que lhes forneceu a essência.
Sobre as origens africanas do samba veja-se que, no início do século XX, a partir da Bahia, circulava uma lenda, gostosamente narrada pelo cronista Francisco Guimarães, o Vagalume, no clássico Na roda do samba, de 1933 [1], segundo a qual o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: san, pagar, e gbà, receber. Depois de Vagalume, muito se tentou explicar a origem da palavra, alguém até lhe atribuindo uma estranha procedência indígena. Mas o vocábulo é, sem dúvida, africaníssimo. E não iorubano, mas legitimamente banto.
Samba, entre os quiocos (chokwe) de Angola, é verbo que significa “cabriolar, brincar, divertir-se como cabrito”. Entre os bacongos angolanos e congueses o vocábulo designa “uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro”. E essas duas formas se originam da raiz multilinguística semba, rejeitar, separar, que deu origem ao quimbundo di-semba, umbigada – elemento coreográfico fundamental do samba rural, em seu amplo leque de variantes, que inclui, entre outras formas, batuque, baiano, coco, calango, lundu, jongo etc.

Mulheres vestindo trajes típicos da cultura afro.

A capoeira

Desenvolvida inicialmente para ser uma defesa, a capoeira, foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeita, os movimentos da luta foram adaptados ás cantorias e músicas africanas para que parecesse uma dança. Assim como no candomblé, cercada de segredos, a Capoeira se desenvolveu como forma de resistência, luta bem valiosa em defesa da liberdade do negro, forma de identidade grupal e afirmação pessoal.
Vários pesquisadores, e historiadores brasileiros estiveram na África e principalmente em Angola e jamais foram encontrados vestígios de uma luta parecida com a nossa Capoeira.
Do campo para a cidade, a Capoeira ganhou a malícia dos escravos e dos freqüentadores da zona portuária. Na cidade do Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçando o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira, foi proibida no Brasil. A liberação de sua prática deu-se apenas na década de 30 (Estado Novo), quando uma variação da capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente Getúlio Vargas.

Quilombos nos dias atuais

Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.
No imaginário nacional, é comum a associação dos quilombos às aulas de História no colégio, a algo restrito ao passado, que teria desaparecido do País com o fim da escravidão. Mas a verdade é que as chamadas comunidades remanescentes de quilombos existem em praticamente todos os Estados brasileiros. Levantamento da Fundação Palmares, do MinC (Ministério da Cultura) mapeou 743 dessas comunidades. De acordo com outras fontes, o número total de comunidades remanescentes de quilombos pode chegar a dois mil.
A dificuldade em se obter informações precisas e tornar amplo o conhecimento da população sobre as comunidades remanescentes de quilombos se deve, em grande parte, ao fato de elas terem permanecido isoladas até muito recentemente. Esse isolamento fazia parte de uma estratégia que garantiu a sobrevivência de grupos organizados com tradições e relações territoriais próprias, formando, em suas especificidades, uma identidade étnica e cultural que deve ser respeitada e preservada.
No Estado de São Paulo existem mais de 35 comunidades quilombolas. A maioria delas, cerca de 30, está na região do Vale do Ribeira, distribuídas por diversos municípios, tais como Eldorado, Iporanga e Barra do Turvo. Outras comunidades estão localizadas no Litoral Norte, na região de Sorocaba e no município de Itapeva.
Até maio de 2007, apenas cinco comunidades tinham recebido os títulos de suas terras: Ivaporunduva, São Pedro, Pedro Cubas, Pilões e Maria Rosa. Todas estão localizadas no Vale do Ribeira e receberam os títulos do governo do Estado de São Paulo.
Conheça no site da Comissão Pró-Índio de São Paulo um pouco mais sobre a vida e a história das comunidades quilombolas no Estado.

O comércio de escravos

O Brasil foi o país que mais recebeu escravos africanos em todo o continente americano. Entre o século XVI e meados do século XIX, desembarcaram mais de 4 milhões de homens, mulheres e crianças africanas. Isso equivale a mais de um terço de todo o comércio negreiro mundial.
O tráfico de escravos era incentivado por chefes políticos e mercadores da África Centro-Ocidental, região atualmente ocupada pela Angola. Essa região forneceu a maior parte dos escravos utilizados pela América portuguesa. Mais tarde, no século XVIII, a costa leste africana (sobretudo Moçambique) teve participação destacada no fornecimento de mão-de-obra escrava para as cidades do Rio de Janeiro, Recife e São Paulo.
No comércio baiano, a partir de meados do século XVII, e até o fim do tráfico, os escravos eram oriundos da região do Golfo de Benin (sudoeste da atual Nigéria).

Legislação

No Estado de São Paulo e no Brasil, há diversas leis que garantem os direitos da população negra e que defendem contra qualquer tipo de discriminação. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
Sobre isso, destacamos as seguintes leis:
Lei Federal nº 7.437/85
Inclui, entre as contravenções penais, a pratica de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando nova redação à Lei 1.390, de 3 de julho de 1951 - Lei Afonso Arinos.

Lei Federal nº 7.716/89
Define crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Decreto Estadual nº 48.328/03
Institui, no âmbito da Administração Pública do Estado de São Paulo, a política de ações afirmativas para afrodescentes.
FONTE: Brasil Quilombola, Casa de Cultura da Mulher Negra e os seguintes textos do IBGE:estatística de desembarque de africanos no Brasil de 1781 a 1855, estatística da população/cor eIBGE Teen - Povoamento. Trecho sobre a gastronomia de origem africana teve contribuição do texto de Heidi Strecker, do site UOL Lição de Casa.
 

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