sexta-feira, 14 de junho de 2013

O ensino da História e da Geografia por meio de projetos

O ensino da História e da Geografia por meio de projetos



MapaNo que se refere especificamente ao ensino da História e da Geografia, o trabalho com projetos representa uma solução para o professor. Através deles, ele poderá trabalhar de forma mais flexível com uma maior diversidade de conteúdos, indo além daqueles tradicionalmente abordados nos livros didáticos. Além disto, os projetos permitem integrar conteúdos da História e da Geografia entre si e também com conteúdos das demais áreas de conhecimento, sobretudo a Língua Portuguesa. Essa integração proporciona ao aluno a oportunidade de estabelecer relações entre fatos, conceitos e procedimentos das diferentes áreas para o entendimento de um fenômeno social ou natural. Isto é especialmente interessante quando se pretende que os alunos construam compreensões cada vez mais amplas sobre uma mesma temática, vindo a percebê-la desde diferentes pontos de vista.
O trabalho com projetos, porém, deve considerar as especificidades de cada uma das áreas envolvidas, pois essa forma de organizar o trabalho não representa sua diluição em um único trabalho, pelo contrário. Nesse sentido, é interessante que o professor defina quais são os objetivos e conteúdos específicos de cada uma das áreas envolvidas no projeto.
Vale a pena ressaltar que o envolvimento dos alunos em um projeto de estudo é algo essencial. Eles precisam atribuir algum sentido a este projeto, identificar sua relevância intelectual ou mesmo social. Um problema que os desafie a buscar informações, trocar idéias, discutir e tomar decisões é uma forma interessante de iniciar um projeto. Determinar com os alunos as etapas que serão percorridas para que esse problema seja solucionado, definir prazos e tarefas, combinar a função de cada aluno ou grupo de alunos (bem como a do professor) nesse trabalho coletivo são outros aspectos a serem considerados.
Existem alguns procedimentos do trabalho de pesquisa que o professor deverá ensinar aos alunos, a fim de que eles possam aprender a realizar pesquisas e também adquirir uma maior consciência de seu processo de aprendizagem. Estes procedimentos podem ser compartilhados através de roteiros nos quais as etapas do projeto de estudo que será desenvolvido são discutidas e decididas com os alunos.
Roteiro de pesquisa
  • O que queremos saber? Definir com os alunos quais as perguntas que eles gostariam de ver respondidas a respeito do tema a ser pesquisado.
  • O que precisamos para saber responder? Definir um cronograma de pesquisa com as ações necessárias para responder às perguntas levantadas.
  • Onde encontramos o que precisamos? Levantar com os alunos quais as fontes de informação que podem ser consultadas. O professor pode sugerir a utilização de enciclopédias, revistas, atlas, livros paradidáticos, filmes, documentários etc.
  • Como obtemos os materiais de que necessitamos? O professor deve orientar os alunos sobre como obter os materiais de pesquisa, ensinando-lhes a consultar uma biblioteca, a realizar uma entrevista e também a organizar um arquivo das informações levantadas.
  • Como apresentamos os resultados da pesquisa? Definir com os alunos a forma de apresentação final dos resultados da pesquisa.
  • Como avaliamos aquilo que aprendemos? O professor pode retomar as questões levantadas no início da pesquisa e avaliar com os alunos quais foram respondidas e quais não. Será uma boa ocasião para discutir sobre as Geografiaperguntas que surgiram ao longo do projeto e aquelas que ficaram sem respostas.
É importante que os projetos realizados tenham algum tipo de fechamento, pois assim os alunos podem compartilhar com os demais colegas da escola ou mesmo com seus familiares os conhecimentos aprendidos durante o estudo. Esse fechamento pode ser materializado através de um produto final, cuja elaboração pode ser decidida com os alunos, que desse modo poderão aprender a definir funções e dividir o trabalho.
Por outro lado, é interessante que esse produto envolva mais de uma linguagem, não apenas a escrita. A produção de livros ilustrados, painéis, cartazes, maquetes, álbuns, folhetos, seminários, exposições, campanhas, dramatizações e instalações são alguns dos produtos que podem ser feitos, sempre considerando a autonomia dos alunos e o papel do professor como colaborador e facilitador.

Da redação.

Ensinar História utilizando imagens

Ana Beatriz Domingues

Ensinar História através da utilização de imagens é sempre uma possibilidade prazerosa para alunos e professores. Elas nos fazem viajar e ajudam a construir panoramas visuais de conteúdos que por vezes parecem muito distantes do nosso cotidiano. Vivemos em um mundo muito imagético, mas é preciso ter cuidado com os usos em sala de aula. Ao trabalhar com esses recursos, é importante pontuar o caráter de representação das imagens técnicas, sejam elas estáticas (fotografias, desenhos, etc.) ou em movimento (vídeos, filmes). Uma conversa inicial com seus alunos pode girar em torno do conceito de representação. Vejamos um exemplo:
O que você vê na imagem abaixo?
Cachorro
Aposto que você respondeu que vê um cachorro, não é mesmo? E a resposta está errada. Você, na verdade, vê uma representação imagética de um cachorro. O cachorro contido na imagem não late, tampouco abana o rabo. A imagem, nesse caso, remete a um cachorro real. As imagens fotográficas tendem a nos confundir por sua aproximação com a realidade, com desenhos e pinturas fica um pouco mais fácil de pontuar essa discussão. Isso é interessante enquanto fundamentação para a compreensão crítica das imagens históricas.
"Vendedora de pão-de-ló". Jean-Baptiste Debret, 1826.
Por muito tempo as imagens utilizadas no ensino de História apareciam, e ainda aparecem eventualmente, como meras ilustrações de conteúdos. Temos o exemplo bem comum que é o das obras de Jean-Baptiste Debret, pintor integrante da “Missão Francesa” e que veio ao Brasil após a vinda da família real, famoso por retratar o Rio de Janeiro oitocentista e tido como pintor da corte. Em diversos livros didáticos e salas de aula ao longo da história, as obras de Debret foram utilizadas para exemplificar imageticamente como era o Rio de Janeiro do século XIX. Mas as obras de Debret estavam inseridas dentro de um contexto de produção e relacionam-se com o seu ponto de vista da cidade.
História
Uma forma de discutir as representações imagéticas é traçar paralelos com outras maneiras de se representar o mundo. Façamos um exercício. Suponhamos que aconteça uma batida de carro na frente da escola e que diversos alunos e professores acompanhem o acontecimento. Alguns alunos irão escrever sobre a batida, outros irão desenhá-la, professores irão contar uns aos outros e também de posse de seus celulares irão fotografar o acontecido. Todas as representações serão iguais? E mais, quem não esteve presente no momento da batida receberá da mesma forma essas representações distintas?
Essas perguntas são sempre acompanhadas de um debate que é fundamental quando tratamos do ensino de História: os pontos de vista. Se num momento passado de cunho positivista a História tinha um tratamento factual e de análises generalizantes, hoje temos que ressaltar a existência de uma diversidade na compreensão dos fatos, processos e transições ao longo do tempo. Lembremos sempre, que nas turmas de Ensino Fundamental, trabalhar com os conceitos históricos, tem tanta importância quanto os conteúdos programados. Sendo assim, trabalhar com imagens é antes discutir o conceito de representação.
Passemos para um último exercício. Vejamos duas representações de Napoleão Bonaparte. A primeira de David Alps em 1800 e a segunda de Hippolyte Delaroche em 1845.
Historia

Ainda que não saibamos o contexto específico de produção das obras, é possível perceber duas representações absolutamente distintas de Napoleão Bonaparte. A partir delas é possível buscar algumas questões geradoras para o debate em sala de aula:
  • Qual das duas imagens poderia representar um grande conquistador?
  • Em qual fase da trajetória de Napoleão Bonaparte você associaria cada uma das imagens?
Outra opção seria pedir que os alunos criassem legendas para cada uma das imagens, percebendo as diferentes interpretações possíveis para as representações. Cabe ressaltar o potencial de desconstrução de figuras célebres da História a partir desses debates, inserindo-as em seu processo histórico de produção e recepção.
Em um mundo cercado por imagens de todo o tipo, é papel do professor auxiliar seus alunos a perceber criticamente o que recebem, entendendo que inúmeros são os modos de ver. Em se tratando das imagens no ensino de História, os olhares devem ser sempre desconfiados, evitando a naturalização que muitas vezes relega as representações visuais a meras ilustrações.
Prof. Ana BeatrizAna Beatriz Domingues – Professora de História e Arte-Educadora. Especialista em Gestão Escolar e atual mestranda em Educação pela UERJ 

Sugestão de Atividades

Sugestão de Atividade - Árabes e o Islamismo

O currículo mínimo proposto por diversas escolas à disciplina de História, muitas vezes não contempla as discussões acerca do povo Árabe. Acho necessário resgatar esse conteúdo diante não apenas da influência árabe na Península Ibérica, mas diante também dos atuais conflitos que vêm marcando diversos países pelo mundo.



                                                     Azulejos da Identidade

    Inicialmente, realizei um trabalho de fundamentação em relação à formação histórica na Península Arábica, Islamismo e atuais conflitos. Essa atividade é voltada a pensar a influência do Islã na Cultura Árabe. Na tradição do Islã há uma clara proibição na representação de figuras animais e humanas. A não-representação figurativa é mote para diversos desenvolvimentos nos campos da caligrafia, matemática, arquitetura e engenharia árabes. Os azulejos são de origem moura e tiveram grande desenvolvimento e expressão em Portugal.  



Material: papel pardo, papel cartão, tesoura e cola

1a Etapa - Arte da palavra: Distribuir triângulos equiláteros feitos com papel cartão colorido a cada um dos alunos. Pedir que pensem em três palavras que os identifique. A seguir, deverão desenhar imagens ou símbolos a partir das palavras. 
Essa etapa é interessante para se falar sobre a caligrafia árabe, ela acaba se tornando muito estética devido às relações com a não-representação figurativa. Os islâmicos entendem que a palavra é um dom divino, uma conexão com Alá.


2a Etapa - Geometria e desenho: Recolher os triângulos e junto com os alunos pensar num desenho possível com todas as peças e que represente a turma. Colar os triângulos no papel pardo e pedir que criem um nome para a figura. Aqui, é interessante de se articular com a disciplina de matemática, retome as figuras geométricas possíveis de se construir com triângulos equiláteros.





3a Etapa - Mural e Exposição: Construir um mural com as criações dos alunos e mediar as impressões que surgirem a partir da experiência do olhar. Em nossa escola montamos o mural , contendo um texto que fundamenta e contextualiza a atividade.




 A seguir, posto um video sobre a Arte Islâmica que pode servir como base da fundamentação inicial para a atividade.



Vídeo sobre árvores que representam determinas regiões do planeta. O continente africano é imenso e possui vários tipos de vegetação. Sugiro a utilização em sala de aula dos vídeos, abaixo, sobre o Baobá, uma árvore que é símbolo do continente africano, mas será que podemos falar que somente o Baobá pode representar a África toda? Vamos aos vídeos..
Um pé de quê? Baobá parte I: http://www.youtube.com/watch?v=GFm-Mu8_8mk
Um pé de quê? Baobá parte II: http://www.youtube.com/watch?v=XxZClCcrBoQ





Quem são os Griots?

Griot é como são chamados, em alguns povos da África, os contadores de histórias. Possuem uma função especial que é a de narrar as tradições e os acontecimentos de um povo. O costume de sentar-se embaixo de árvores ou ao redor de fogueiras para ouvir as histórias e os cantos, perdura até hoje. Os griots também são músicos e muitas vezes as narrativas são cantadas. O Império Mali, sob o comando de Soundjata Keita, por volta do século XIII confere importância notável a esses sábios. A construção da história de base oral é marca dos povos africanos antigos e o griot tem papel fundamental em sua estruturação.

Orientação Técnica: "Avaliação - Concepções, Análise e Aplicabilidade"



















Evento sobre a Copa das Confederações na EE Hélio Lourenço.
Parabéns a todos e a todas pelo trabalho e envolvimento!!!!